A fala do deputado Coronel Chrisóstomo e o eco do descontentamento das polícias de Rondônia

Data de publicação: 29 de abril de 2025

A convocação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, aprovada nesta terça-feira (29) na Comissão de Segurança Pública da Câmara, partiu de um requerimento do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO). A decisão veio após a polêmica fala do ministro de que “as polícias prendem mal, por isso o Judiciário solta”. A resposta do parlamentar foi direta e firme. Ele deu voz a um sentimento que cresce entre os profissionais da segurança, em especial em Rondônia: o de que estão sendo desrespeitados por quem deveria apoiá-los.

Em um estado onde o combate à violência e ao tráfico é feito com esforço diário, poucos recursos e alto risco, ouvir uma frase como essa, vinda do chefe da Justiça e da Segurança Pública do país, soa como um golpe. Para os policiais que atuam na ponta, a declaração do ministro desmerece um trabalho técnico, feito muitas vezes em condições difíceis, e que exige coragem.

Ao confrontar Lewandowski, Coronel Chrisóstomo levou ao centro do debate uma insatisfação real das forças de segurança. Sua fala foi um reflexo do que se ouve nas ruas e nos batalhões: que falta apoio institucional e que sobra julgamento público. Em vez de reconhecer o esforço dos agentes, o ministro optou por generalizar e transferir a responsabilidade.

Mais que uma crítica, a fala do deputado abre espaço para um debate necessário sobre os limites entre os poderes. Quando decisões judiciais enfraquecem o trabalho policial, o combate ao crime perde força. A cobrança de Chrisóstomo não é isolada. Ela ecoa uma cobrança nacional por respeito, valorização e responsabilidade — especialmente por parte de quem ocupa os cargos mais altos da República.

Quem está nas ruas sabe: prender exige preparo, coragem e respaldo. Soltar, por sua vez, exige responsabilidade. E quando a balança pesa apenas para um lado, é a população quem perde.